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Priming

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O priming é um efeito experimental que se refere à influência que um evento antecedente (prime) tem sobre o desempenho de um evento posterior (alvo). Em outras palavras, pode-se dizer que, nesse método, supõe-se que uma palavra possa ser acessada mais rapidamente se precedida por outra palavra com a qual ela partilhe características semânticas (médico/hospital), fonológicas (hora/oca), ou morfológicas (dança/dançarino) (FRANÇA, LEMLE, PEDERNEIRA e GOMES, 2005).
O priming é um efeito experimental que se refere à influência que um evento antecedente (prime) tem sobre o desempenho de um evento posterior (alvo). Em outras palavras, pode-se dizer que, nesse método, supõe-se que uma palavra possa ser acessada mais rapidamente se precedida por outra palavra com a qual ela partilhe características semânticas (médico/hospital), fonológicas (hora/oca), ou morfológicas (dança/dançarino) (FRANÇA, LEMLE, PEDERNEIRA e GOMES, 2005).
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Dentre os modelos desenvolvidos para se pensar como a mente age, é relevante citar que os modelos de acesso paralelo ou direto, como de logogen, o conexionista e o de cohort, conseguem reproduzir, por meio de sua arquitetura, os efeitos de priming
Dentre os modelos desenvolvidos para se pensar como a mente age, é relevante citar que os modelos de acesso paralelo ou direto, como de logogen, o conexionista e o de cohort, conseguem reproduzir, por meio de sua arquitetura, os efeitos de priming
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Edição de 05h03min de 30 de Setembro de 2008

O priming é um efeito experimental que se refere à influência que um evento antecedente (prime) tem sobre o desempenho de um evento posterior (alvo). Em outras palavras, pode-se dizer que, nesse método, supõe-se que uma palavra possa ser acessada mais rapidamente se precedida por outra palavra com a qual ela partilhe características semânticas (médico/hospital), fonológicas (hora/oca), ou morfológicas (dança/dançarino) (FRANÇA, LEMLE, PEDERNEIRA e GOMES, 2005).

O experimento de priming pode ser aplicado de duas formas. Uma maneira é medir o tempo que o sujeito leva para decidir se uma seqüência de letras é uma palavra ou não (decisão lexical) e, outra maneira, é medir o tempo que o sujeito leva para ler em voz alta a segunda palavra, o alvo (naming). De acordo com o resultado de vários experimentos (Meyer, Schvanevelt & Ruddy, 19751; Swinney, 19792; Forster, 19993 etc.), um sujeito levará menos tempo para ler a palavra “enfermeira”, ou identificar se ela é uma palavra ou não, quando esta for antecedida por “médico” do que se ela fosse antecedida por “alface”.

O efeito de priming pode ser alcançado tanto por meio de estímulos lingüísticos como pela apresentação de figuras ou de estímulos auditivos. O priming que utiliza mais de um tipo de modalidade de estímulo para sua realização, por exemplo, a auditiva e a lingüística, é denominado cross-modal priming, isto é, priming multimodal.

No que concerne aos procedimentos metodológicos do priming, observam-se inúmeras formas de se manipular o contexto de sua realização. Podem ser apresentados pares de palavras relacionadas semanticamente e misturá-las tanto a pares de prime não relacionado ao alvo, quanto a pares de prime e não-palavra, ou ainda, a pares de não-palavras. Toda essa organização pode lançar mão de um prime subliminar, que fica na tela por cerca de 38ms e/ou mascarado (masked priming), em que se apresenta o prime entre máscaras do tipo ####.

De outro modo, pode ser apresentado um prime que fica na tela por mais tempo, freqüentemente, em torno de 200 a 400 milissegundos, o que vai depender do número de sílabas das palavras (SALES, JOU, STEIN, 2007). O tempo de intervalo entre a apresentação do prime e o início do alvo é chamado de SOA (Stimulus Onset Asynchrony) ou de ISI (Interstimuli interval).

É importante salientar que, nesse tipo de priming subliminar, há um método conhecido como priming direto ou de repetição no qual o sujeito tem que identificar versões de alvos perceptualmente degradadas. Esse modelo é uma forma de memória inconsciente e pode levar minutos, horas dias ou semanas, diferindo do priming indireto que costuma levar apenas alguns segundos.

Além das variantes citadas acima, há várias outras que interferem na precisão dos resultados do experimento de priming. Dentre essas, nota-se a freqüência das palavras selecionadas; o número de sílabas para pares de prime/alvo e não-prime/alvo; o tipo de relação semântica estabelecida: collocation (café/leite), categórica (baleia/tubarão), funcional (vassoura/chão), metonímica (roupa/blusa); dentre várias outras.

A organização na escolha de pares relacionados, não-relacionados ou controle e distratores é de suma importância já que uma simples repetição do prime e/ou do alvo no experimento pode gerar o que é comumente conhecido como efeito de priming episódico, por ocasionar uma aprendizagem do prime ou do alvo.

O tipo de priming que viemos apresentando até agora é denominado ‘priming positivo’, tendo em vista o fato de que o prime faz com que o tempo de reação ao alvo seja mais rápido. Porém, é preciso apontar, igualmente, a existência de experimentos que lançam mão de um tipo de priming conhecido como ‘negativo’, no qual o prime faz com que o tempo de reação seja mais lento, propiciando um efeito inibidor.

O priming negativo ocorre quando o tempo de reação a um estímulo (alvo) aumenta porque houve um estímulo concorrente anterior (prime) que fez com que representações internas relevantes para um estímulo posterior (alvo) fossem suprimidas e, assim, dizemos que houve um efeito de priming negativo. Por exemplo, se pedirmos a um sujeito para ignorar a palavra PATO enquanto ele identifica outro estímulo (a palavra RATO), as representações internas de PATO serão ignoradas. Se, em um par prime/alvo subseqüente do experimento, apresentamos a palavra PATO como alvo, o tempo de reação será maior, pois o sujeito terá que acessar representações internas que foram previamente inibidas.

Os experimentos de priming, no campo da lingüística, são feitos no intuito de responder questões colocadas, inicialmente, pelos modelos de acesso lexical. Tais modelos buscavam entender como as palavras são acessadas ou reconhecidas durante a leitura ou escuta. Assim, protocolos experimentais como os de priming ajudam a determinar, de forma mais precisa, os princípios que operam na organização e acesso de palavras para que estas possam, posteriormente, serem combinadas em um todo coerente.

Dentre os modelos desenvolvidos para se pensar como a mente age, é relevante citar que os modelos de acesso paralelo ou direto, como de logogen, o conexionista e o de cohort, conseguem reproduzir, por meio de sua arquitetura, os efeitos de priming